sábado, 15 de agosto de 2020

A JOIA MAIS PRECIOSA



Vamos agora ilustrar o simbolismo do Si-mesmo através deste conto. Era uma vez um aprendiz que procurava entender seu verdadeiro valor e, para isso, foi buscar a orientação de um sábio. O sábio entrega a ele uma joia, mas primeiro diz que ela é apenas uma pedra colorida que não vale nada. Ao tentar vender para comerciantes simplórios na feira, ninguém deseja negociar a joia preciosa com o aprendiz e todos riem dele. Quando veio ter com o mestre, este o revela se tratar da joia mais nobre, e o orienta a ir negociar com um ourives especializado naquele tipo de relíquia. Desta vez o mestre orienta que não deve vender a joia por oferta nenhuma, mas apenas consultar seu verdadeiro valor com o especialista.

O ourives oferece ao aprendiz as maiores preciosidades em troca daquela joia, outrora desdenhada na feira pelos homens comuns, mas como o mestre orientou que ele não deveria vender ao ourives por preço nenhum e sim trazer ela de volta, o homem vai ao mestre espantado com a quantidade de riquezas que lhe foi oferecida e não pode aceitar, e pela mesma joia que pouco antes não conseguiu trocar por alguns trocados. O mestre, ao receber o aprendiz novamente, instruiu: não devemos comparar o valor de algo mais precioso que uma joia, nossa alma, pelo pouco valor que lhe é dado pelas pessoas comuns. O verdadeiro valor da joia está em brilhar apenas para aqueles que reconhecem seu valor.





Visita o interior da terra, e, retificando, encontrarás a pedra escondida.


A joia pode ser tomada como um símbolo para o valor do Si-mesmo. Desvalorizado por pessoas comum porém reconhecido pelo olhar treinado do especialista e do mestre, carregamos este precioso brilho sem nos dar conta de que ele está o tempo todo conosco. O mestre nesta e em outras histórias também representa este contato do eu com a sabedoria maior do Si-mesmo que coordena o processo de individuação.

Jung utiliza a Alquimia como simbolismo para estruturar a teoria dos arquétipos de sua Psicologia Analítica. Ele fala que os antigos alquimistas, por uma questão de censura religiosa, procuraram uma linguagem simbólica para ocultar os conhecimentos gnósticos das tradições de sabedoria mais antiga. Assim, o processo de transformar metais impuros como chumbo e mercúrio em metais nobres, até chegar no ouro ou na pedra filosofal, seria na verdade, na visão junguiana, uma grande depositária de imagens metafóricas para o que ele vai chamar de processo de individuação. Através da arte ou função transcendente transformamos os sentimentos negativos e o sofrimento em ouro, em símbolos, em imagens que nos reintegram à sabedoria do Si-mesmo, que está em comunhão profunda com a sabedoria da natureza e da vida.

Individuação é o processo de desenvolvimento da personalidade, purificando os elementos impuros da sombra e das emoções e sentimentos perturbadores até chegarmos no ouro ou na joia precisa, a joia da mais elevada sabedoria filosofal, o conhecimento profundo e atemporal do Si-mesmo. Presente em todas as culturas, em todos os mitos, contos e histórias, esta sabedoria perene espera que nós nos debrucemos sobre a arte, as histórias, os contos, as fábulas, para que possamos transformar em nós o nosso chumbo em ouro. É disso que falam todos os contos, fábulas e lendas do folclore, é esta a sabedoria oculta presente no poder de todos os verdadeiros mitos, capazes de revelar o novo mundo da alma e de nos fazer renascer para uma nova harmonia do eu para com a vida.




Att, Pedro Possidonio
Psicólogo e Terapeuta
Atendimento presencial e online
WhatsApp (85) 99688.8876


terça-feira, 28 de julho de 2020

Individuação e máscaras que caem



Ao longo da vida passamos por muitas desilusões. Nossas máscaras caem, e aquilo que para nossa mente consciente era uma verdade passa a não mais fazer sentido numa nova etapa da vida. A identidade que costumamos chamar de ego é uma Persona, assim como a identidade de “mãe”, “filha”, “profissional”, “brasileira”, etc, em tempo integral.

Apesar de serem importantes, pois a persona faz a intermediação entre o eu e o mundo externo, é comum que ao longo da vida as personas caiam, parte do processo de individuação, processo através do qual vamos descobrir e realizar aquilo que somos. Se ficarmos identificados demasiado com uma persona, caímos em estados psicopatológicos, devido a unilateralidade desta identificação.

Ao longo da individuação somos conduzidos por um outro eu, a princípio inconsciente , o que Jung chamou de Si Mesmo, centro e totalidade da Psique. Este eu seria algo mais próximo do que verdadeiramente somos, mas não atingimos completamente este eu, pois muitas de suas dimensões são inconscientes.

Através da integração dos símbolos e complexos no processo de individuação vamos realizando as varias dimensões do eu profundo. Esta dimensão ocorre através da função criadora de símbolos, a qual Jung chamava Função Transcendente.


Pergunta que me foi feita: então, teoricamente, uma mulher que é mãe pode conseguir não se extenuar de ser mãe realizando o processo de individuação? Minha resposta é que provavelmente não, pois a vida em geral é difícil, e o desafio de ser mãe será sempre extenuante. Mas se buscar em paralelo a individuação a mulher pode perceber que há um sentido no sofrimento.


Não podemos viver sem sofrer, mas podemos transformar o sofrimento através da arte de viver (função transcendente em Jung).
O processo de individuação é para a vida toda, e em geral devemos desconfiar principalmente se a pessoa falar que atingiu a totalidade, mas como diz o velho simbolismo, conhecemos a árvore pelos frutos. No livro Desenvolvimento da Personalidade, Jung fala que temos vários exemplos de grandes personalidades que influenciaram a humanidade. E estudando a mística ocidental e oriental, podemos inferir que existiram muitos mestres e mestras também desconhecidos do público geral, mas que através de suas obras ou de seu despertar beneficiaram incontáveis de seres.




Att,
Pedro Possidonio
Psicólogo e Terapeuta
Atendo Online para todo o Brasil

Veja nosso trabalho em nosso site:

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Clínica Social


O Projeto de atendimentos Clínica Social é um programa que visa a expansão dos atendimentos em Psicoterapia a custos moderados mas mantendo os padrões éticos e de qualidade.

O objetivo do projeto é oferecer o serviço de Psicoterapia para que um número maior de pessoas tenham acesso, ampliando a oferta de atendimentos com qualidade alinhado com a grande necessidade que é identificada por nossa população.

Como modelo de referencial teórico, trabalhamos embasados nos princípios da Abordagem Sistêmica, que vê o ser humano como um sistema corporal, mental, emocional e social, incluindo suas dimensões de relacionamentos, trabalho e espiritual.

O tempo dos atendimentos é de até trinta minutos, respeitados os acordos de horários pré estabelecidos com o profissional. As sessões poderão ocorrer semanalmente, podendo ser acordado também na periodicidade quinzenal.






Para mais informações mande uma mensagem para nosso WhatsApp (85) 99688.8876

A marcação das sessões será feita diretamente com o profissional através do telefone ou WhatsApp (85) 99688.8876. Todo o processo de marcar e desmarcar deve ser feito com o profissional.

O pagamento poderá ser feito em depósito em conta ou link de pagamento em cartão de crédito, e deve ser acertado previamente. 

Atendemos Jovens, Adultos, Idosos. Idade mínima de 16 anos. Necessário articulação de fala em português. Necessário procurar o profissional por vontade e iniciativa própria, e não por meio de familiares.

Agradecemos a preferência e pedimos que divulgue o projeto Clínica Social para seus Contatos.








Att, Pedro Possidonio.
Psicólogo, CRP 11/09213.

MBA em Gestão de Pessoas.
Especialização em Ensino de Filosofia.
Especialização em Terapias Integrativas e Complementares.
Aperfeiçoamento em Psicanálise de Lacan e Psicologia Analítica de Jung.


Para saber mais sobre nosso trabalho, você pode visitar nossas páginas na Internet:

Blog: http://realizacaohumana.blogspot.com.br.
Site: http://pedropossidonio.wix.com/portal .
Instagram: @pedropossidonio.psi
YouTube: https://www.youtube.com/PedroPossidonio

Qualquer dúvida ou informações, entre em contato conosco através do nosso email: pedropossidonio.psi@gmail.com.
Ou através do WhatsApp:
(85) 9.9688.8876.

sábado, 20 de junho de 2020

Morte e Perda de alguém a quem amamos







Medo na pandemia. Talvez quase todos nós sentimos medo de perder alguém especial, o que se agrava nesse momento de pandemia. Seja uma tia idosa, um filho pequeno, um pai ou uma mãe com que temos um vínculo especial, amigos e companheiros de vida. A dor da morte e da perda é um dos maiores mistérios da vida humana na terra. Tudo que se possa falar não esgota as possibilidades do assunto.

Medo da perda. É importante trazermos a nossa consciência para este medo, que na verdade nos acompanha durante toda a vida. Neste período, sim, este temor está maior. Pensamos que a qualquer momento podemos perder alguém, sem tempo para nos despedir, e esquecemos que sempre foi assim, a qualquer momento a morte pode chegar e dar um corte, um limite.

E não é só pessoas que morrem, pois morrem também ciclos, etapas de nossas vidas. Neste momento parece que o planeta está de luto num grande mar de lama por todos os sofrimentos acumulados de seus filhos e filhas. E todos nós de alguma forma sentimos isso.

Importante lembrar de trazer nossa consciência para este momento, ao invés de ficar fantasiando mil e uma perdas. A vida só acontece nesse momento, e o agora é o momento mais importante, o único que existe, o momento em que a lição mais preciosa da vida está sendo dada a você e a mim por todo o universo, que trabalhou para criar este momento como ele é. Lembrar de focar no momento presente, na virtude, benção e dom que é ter conosco as pessoas a quem amamos.

Nunca estamos preparados para a morte, nem das situações, as quais nos apegamos, nem das pessoas importantes para nós, nem de nós mesmos, essa inclusive muito pouco pensamos.

Mas fica esse momento para ressaltar que o ser humano é o único neste planeta que tem consciência de que vai morrer. Alguns autores afirmam que a morte é a inspiradora direta ou indireta de toda a arte, mística, literatura, teatro, ciência. Olhando para o desconhecido, o vazio, tendo consciência da morte, os primeiros seres humanos criaram toda a mitologia, as religiões, as filosofias, toda a arte, toda a beleza para tolerar a existência, a consciência do existir.

O mais triste não é só morrer, o mais triste é que muitas vezes não vivemos. Esquecemos de apreciar a vida e viver ela intensamente, como se cada momento fosse o último. Não estou dizendo viver como uma loucura consumista, e sim como uma celebração da presença e do afeto, de tudo aquilo que para nós é importante.

Aproveite e compartilhe esse texto com pessoas importantes para você, pessoas a quem você gostaria de dizer: eu te amo, você é importante para mim. Se algo acontecer e nos surpreender, saiba que guardo você em algum lugar do meu coração e do meu espírito, saiba que você foi e é essencial na minha jornada de evolução, de crescimento, de aprendizado do meu ser. Que entre nós seja celebrado amor e vida, e que a morte seja vista apenas como uma passagem, e respeitada como um mistério.

A poesia fala da verdade de nossa alma de um jeito que a linguagem científica não dá conta. Os poetas dizem, a morte é um amanhecer. A pérola que surge do mar de lama que é esta vida, o perfume de uma flor que, como um sopro, é fugaz, mas que sua beleza é o único sentido de existirmos.

A beleza é o que faz a vida valer a pena de ser vivida. A beleza nos ajuda a tolerar as dores do existir. A beleza da natureza, dos mares e das montanhas. A beleza do sorriso de uma criança brincando e descobrindo a vida. A beleza de amar alguém e de sentir que é amado. A beleza de perdoar tudo aquilo que nos feriu, para se comprometer a vivermos alinhados com o que realmente importa. A beleza de uma boa música, um bom livro, uma boa ideia, uma bela obra de arte.

Qual a contribuição que podemos deixar nesse mundo? Se você perdeu alguém que Ama, qual tesouro de experiências positivas essa pessoa deixa em você? Só existe dor da perda onde também existe muito amor. Observe esse amor. A dor de perder e a dor de amar é a dor de viver, de sentir a nossa totalidade. Que possamos dizer sim para essa dor, e nossa mente mais profunda  trabalhará nesta lama até achar a sua pérola, até extrair dela o seu tesouro.

Quando a perda acontece é comum viver dor, sofrimento, luto. Sempre faço com meus clientes enlutados um convite: Mudar de perspectiva para ver também o amor que fica. Não que dizer negar a dor ou a perda, quer dizer olhar para o amor e para a totalidade de nosso ser.

Existe Luto normal e Luto complicado. No primeiro, precisamos de alguns dias para cair a ficha, entender a perda, dar um sentido. Cada pessoa precisa de seu tempo. É possível transitar pelas suas fases de negação, raiva, negociação, tristeza, até chegarmos na aceitação, sendo que o tempo de cada um pode ser diferente.

No luto complicado nossa mente fica presa, no apego, na perda, na pessoa que se vai, ou numa das fases do luto, e aí é recomendado que se procure ajuda profissional. Uma escuta de qualidade, amorosa e compassiva, pode fazer a diferença para quem atravessa um luto complicado.

Para a pessoa que passa por estas fases de perdas e luto, nossa recomendação seria a de procurar e encontrar um profissional de confiança e qualidade, pois falar sobre nossas questões, angústias e dores vai limpando e amenizando o nosso sofrimento. Mas não devemos esperar uma cura mágica e total, nem acreditar que só o profissional é responsável por nossa cura.

Podemos ainda buscar nossa paz interior e equilibro, assistindo palestras, lendo bons livros, praticando alguma forma de arte ou expressão emocional como escrever, ler, desenhar, meditar, e assim aprender a cuidar de si e alimentar o nosso espírito.

Estamos à disposição para esclarecimentos e desejamos saúde mental e vida de qualidade a todos e todas. Que possamos nos cuidar, ouvir e acolher. Que possamos despertar uma vida de qualidade, viver para o amor e para o Ser.


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Deixo para quem interessar nossos contatos para sessões presenciais e online.

(Neste momento de pandemia e isolamento social estamos atendendo online, e acabo de lançar um projeto de atendimento social para beneficiar mais pessoas. Para saber mais mande uma mensagem no WhatsApp).

Mande uma mensagem para (85) 99688.8876.

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Deixo aqui uma seleção de vídeos falando sobre luto, perda, finitude, e varias visões sobre o processo de morte e morrer. Link de nossa playlists:


Playlist Melhores reflexões sobre morte, perda, luto:




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Deixo finalmente nossas indicações de vídeos e Playlists no Youtube:

Leituras em Realização Humana, Saúde Mental e Visão Sistêmica
https://www.youtube.com/playlist?list=PLKQTT6Hd8z-BVpGReyEi9AVUaO_Sr66D2


Leituras em Sentido da Vida: Múltiplas Visões
https://www.youtube.com/playlist?list=PLKQTT6Hd8z-B50k6eAXZ2m84qU1X9Q623

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Att, Pedro Possidonio
Psicólogo e terapeuta
Atendimentos presenciais e online.


E-mail pedropossidonio.psi@gmail.com

WhatsApp (85) 99688.8876

Estamos à disposição para dúvidas e esclarecimentos.

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Suicídio e Saúde Mental na quarentena


Falar de uma temática tão delicada quanto o suicídio é um procedimento de extrema responsabilidade. Neste período de quarentena, onde já é sabido que se tem piorado os índices de ansiedade, depressão, dependência química, violência doméstica, também percebemos uma piora em clientes em relação ao índice de ideação suicida e tentativas de suicídio.


Está se sentindo muito mal e precisa falar com alguém? Ligue 188.

Não podemos julgar a pessoa que é atravessado pela ideia do suicídio, pois muitas vezes ele está ligado a depressão, transtorno bipolar, transtorno de humor, boarderline ou outros casos graves de saúde mental. A pessoa que flerta com o suicídio almeja a liberação do sofrimento, não o morrer por morrer, mas libertação de estados mentais graves de mal estar e angústia.

Também não podemos julgar alguém do entorno especifico como pai, mãe, familiares, professores, términos de relacionamento, conflitos pontuais e específicos como causa única do suicídio. O suicídio é sempre complexo e multifacetado, sendo a resultante de múltiplos desequilíbrios orgânicos, mentais, familiares e sociais. Ao mesmo tempo somos todos responsáveis e ninguém é culpado.

Culpar uma pessoa específica como o namorado que terminou, o amigo que brigou numa partida de futebol no colégio, o sócio que faliu a empresa, o pai que não dava atenção ou a mãe que brigou pode gerar outro suicídio, e não é a solução. Depressões e conflitos familiares estão ligados sim, mas todos nós praticamente temos históricos familiares com grandes perdas, alcoolismos, depressões, doenças mentais, abortos, violência, entre outros. Como as gerações anteriores procuraram pouco tratamento, as questões tem se acumulado e explodido nas gerações atuais.

Outro fator importante é o valor que a sociedade atribui ao externo, a aparências, a status, ao consumismo, e a baixa valorização de atividades que verdadeiramente alimentam e fortalecem a alma, todas vistas como vagabundagem, como a arte, a música, a poesia, a filosofia, a literatura, as práticas espirituais como meditação e terapia.

Assim, vivemos uma sociedade de consumo e de espetáculo, onde cresce o isolamento, o narcisismo, o fetichismo da mercadoria e do consumo, e cresce o abismo emocional interior de uma vida vazia de sentido e significado.

Mas sempre é tempo de repensarmos nossa vida, nossas escolhas, nosso modelo civilizatório e os valores de nossa existência. Podemos voltar a cultivar a nossa alma esquecida, e os muitos caminhos estão sempre lá esperando por nós para alimentar nossa alma faminta.

Todos estes problemas de ansiedade, depressão, e também o suicídio podem ser uma oportunidade a todos nós para vivermos um novo modelo de vida, mais afetivo, emocional, espiritual, voltado para nosso verdadeiro desenvolvimento interno e para relações de cuidado. Ao invés de cobranças, julgamentos e brigas, relações de acolhimento, de escuta, de valorização da vida, de aceitação mútua, de mútuo apoio e incentivo.

Lembramos que casos de ansiedade, depressão e ideação suicida devem ser tratados com acompanhamento psicológico, que pode ser presencial ou, no período atualmente de isolamento social e depois dele, também na modalidade online. Casos de tentativa de suicídio já precisarão de intervenção e avaliação psiquiátrica, muitas vezes sendo necessário a internação a depender da gravidade.

Para a pessoa que passa por estas situações, nossa recomendação seria a de procurar e encontrar um profissional de confiança e qualidade, pois falar sobre nossas questões, angústias e dores vai limpando e amenizando o nosso sofrimento. Mas não devemos esperar uma cura mágica e total, nem acreditar que só o profissional é responsável por nossa cura. Podemos ainda buscar nossa paz interior e equilibro, assistindo palestras, lendo bons livros, praticando alguma forma de arte ou expressão emocional como escrever, ler, desenhar, meditar, e assim aprender a alimentar o nosso espírito.

Estamos à disposição para esclarecimentos e desejamos saúde mental e vida de qualidade a todos e todas. Que possamos nos cuidar, ouvir e acolher. Que possamos despertar um viver para o amor e para o Ser.


Para ver mais sugestões de vídeos sobre Luto, Perda, morte e a questão do suicídio, indicamos a playlist a seguir em nosso canal no YouTube:



Att, Pedro Possidonio
Psicólogo e terapeuta

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segunda-feira, 18 de maio de 2020

Morte na Psicologia Analítica

Neste tempo de pandemia, onde somos confrontados com morte e perda, me deparei num grupo com uma pergunta sobre a morte e o inconsciente coletivo de Jung.

A morte pode ser considerada um arquétipo, não tendo um conteúdo específico no inconsciente coletivo. No conceito de arquétipo de Jung, devemos imaginar uma caixa vazia, sem conteúdo, a qual será preenchida conforme cada pessoa e cada cultura. O arquétipo é uma função psíquica, uma estrutura formada ao longo da história da humanidade, que terá sua forma nas imagens e simbolismo de cada época.



Morte como putrefactio, representação da alquimia.


Nas culturas e na vida de cada um este arquétipo assume conteúdos e significados. Assim, a morte para as culturas xamânicas significava uma viagem definitiva para a nação das estrelas. Para a cultura chinesa antiga, as várias partes da alma se decompunham e cada uma tinha seu destino. Para os cristãos católicos, há um julgamento e uma seleção para paraíso, purgatório ou inferno.  Para os gregos antigos, a alma era levada pelo barqueiro Caronte, atravessando o rio da morte e indo para o Hades, submundo onde moravam as almas.

No livro arquétipos e inconsciente coletivo, Jung fala do arquétipo do renascimento, que pode ser vivido como transformação, iniciação, metempsicose, reencarnação, dentre outros. Podemos assim perceber que há uma conexão entre morte e renascimento, morte e vida. O tempo todo passamos por mortes simbólicas, por transformações que marcam cada etapa da vida.

Jung fala no Natureza da Psique que não podemos viver numa casa acreditando que ela possa cair sobre nós, e fala que em várias culturas a morte não é entendida como fim, mas como continuidade, mas ele não afirma isso categoricamente, pois se o fizesse não estaria sendo científico.

Na visão de Jung, a realidade psíquica é a única que pode ser estudada ou afirmada, não a realidade concreta, final ou objetiva. Afirmar que não existe nada depois da morte, ou afirmar que existe algo sim depois da morte são, para Jung, objetos da metafísica, expressões de fé. Mas não é possível chegar a uma verdade final absoluta e científica sobre isso. No entanto, a verdade da alma, aquilo que acreditamos no íntimo e que nos trás paz é o que deve ser observado e apontado pelo analista.


Lembro de uma senhora a qual atendi, seu filho foi encontrado morto e deram o caso como suicídio. O jovem porém, não tinha histórico psiquiátrico, não se despediu deixando uma carta, não deixou sinais. A mãe, minha cliente, teve um sonho, onde o jovem contava que não foi ele, e sim tal pessoa tinha feito isso com ele. A mãe ouviu depois, ocasionalmente, o nome desta mesma pessoa, a qual não conhecia, numa reunião de homenagens do local onde ele trabalhava. Não vem ao caso aqui falar o local.

O interessante é apontar que, após ela contar, pudemos reforçar com ela que era interessante acreditar nesse conteúdo dos sonhos, pois eles vem de uma dimensão mais profunda do nosso Ser, da nossa alma. Ao longo das sessões, ela pode elaborar o luto e encontrar paz e  aceitação da morte do filho. Vale ressaltar, por último, que este tipo de conteúdo não pode ser usado como prova por exemplo, ou como abertura de um processo de investigação. Mas acreditar na realidade psíquica trazida pelo sonho fez essa mãe se harmonizar com o destino do filho e encontrar mais paz, avançando no seu processo de equilíbrio.

São apenas algumas ideias, espero ter contribuído, não pretendo ter esgotado tudo sobre o assunto mas ficam estas Reflexões para despertar o interesse na obra Junguiana.

Para os que lêem em português posso indicar os livros A morte a luz da psicologia, de Aniela Jaffe, e Os sonhos e a morte, de Von Franz. Existe uma compilação de artigos junguianos num livro chamado Reflexões sobre a Morte no Brasil, organização de Oliveira e Callia, Ed Paulus.


Deixo também as sugestões de playlists no YouTube:





A morte nos angústia a todos, a possibilidade da perda do que para nós é objeto de afeto nos assombra, mas é possível, em alinhamento com as verdades mais profundas de nossa alma, buscar um equilíbrio e usar a morte não como inimiga, mas como fonte de sabedoria e de conexão com o Si mesmo.

Fica a mensagem final de que a morte, as perdas e transformações possam ser objetos de nossas reflexões e conscientização. Reflexões sobre o morrer são também reflexões sobre o viver uma vida significativa.


Deixe suas dúvidas e comentários. Gratidão e grande abraço.


Att, Pedro Possidonio
Psicólogo e Terapeuta

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sexta-feira, 15 de maio de 2020

Relações em tempos de crise



Escrevo este texto a partir de observações clínicas feitas sobre relacionamentos durante a quarentena de 2020, mas espero que as reflexões sirvam para outros momentos de crise, seja social seja de uma relação específica.

Um momento de crise como a quarentena funciona como uma lupa, e questões que costumávamos colocar em baixo do tapete acabam vindo à tona. Ansiedades, pânicos, depressões tem aumentado nesse momento difícil. A crise trás o nosso pior à tona para olharmos. Quando acolhemos com atenção, podemos nos transformar, quando negamos, aquilo que rejeitamos volta de novo e de novo até que tomemos consciência.

São vários os casos de casais em conflito, por exemplo. Devido a hostilidade e falta de diálogo varias situações vem piorando. O que repito sempre é que só você ou vocês podem avaliar se a situação está ruim e merece ser trabalhada para melhorar ou se realmente está tóxica e passou do limite dos acordos possíveis.

Para os relacionamentos funcionarem, é preciso refazer os nossos acordos. Precisamos deixar de lado a produtividade tóxica, de tudo fazer e para todo lugar correr sem sair do lugar. Precisamos observar as cobranças que fazemos ao outro e a nós mesmos. A ideia aqui é mais aceitação e mais acolhimento, para si e para o outro, principalmente neste momento de crise. Desaconselho tomar decisões importantes e impulsivas.

Por outro lado são vários os casais se encontrando, iniciando ou re-iniciando algo novo. O outro sempre é um mistério a ser redescoberto. Observe, pois tudo aqui que chega pode ser tomado como lição para nossa evolução. Para quem mora junto, cuidar e desfrutar destes recomeços, para os afastados, paciência e respeito à necessidade de isolamento social para a saúde de todos.

Relacionamentos outros com pais, mães, filhos e familiares em geral valem semelhantes reflexões: diminuir as cobranças e idealizações, aumentar a aceitação do que é, de quem é o outro, com seus limites e imperfeições. É interessante sempre ter a noção da distância saudável. Se está incomodando, em geral está próximo demais. É importante cultivar um espaço de cuidar de nós mesmos, para cultivar nossa alma, recarregar nossas baterias emocionais.

Sempre é tempo de aprender algo novo, buscar a criatividade, aprender a lidar com nossas emoções aprender a se relacionar. Existe sempre um mistério a ser descoberto em nós mesmos. É importante buscar o cuidar bem de si, buscar o equilíbrio e buscar cultivar uma vida de amor e autodescoberta.

Ideia importante para todas as épocas, mas mais ainda para estes tempos de isolamento, é ser uma boa companhia para si mesmo. Faça coisas que te façam sentir bem, para receber um pouco de energia vital vinda de fora: cuide de seus animais e plantas, leia um bom livro, assista coisas que te façam bem, faça uma dieta de mas notícias ou pessoas que te façam mal, ajudemos e consolemos uns aos outros, busquemos a fé no espiritual para quem o tem. Para quem precisar, busque ajuda online. 


Sei que são muitos os medos e perdas nesse momento, mas vamos reaprendendo a viver um momento de cada vez. Se cuidem! Quem puder, fica em casa!

Att, Pedro Possidonio
Psicólogo e terapeuta


Atendimentos presenciais e online.


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